Saturo cada átomo!!!
eliminei tudo que é resto e superfluidade.
incluo nos momentos o absurdo, os fatos tonalizados, o sórdido, mas tratados em transparência.
C O L O C O tudo S A T U R A D O!
atingi a fonte sagrada, vejo vida no vivente e o vivente no vivido: vivo na via da vida!
Fôlego que me faz vi(ver) através do vivido saudável: vivão!
sou índio: não há arte, somente curativos medicinais.
domingo, 12 de julho de 2015
Parido de uma casa vermelha
as rachaduras do quintal até o portão fazem encostar a nuca nas costas
e o mundo se abre, ele é um apetite no interior da mandíbula
as rachaduras do quintal até o portão fazem encostar a nuca nas costas
e o mundo se abre, ele é um apetite no interior da mandíbula
O ipê roxo estava lá entapetando a calçada desde dentro e em cada pedra
- encaixadas uma a uma - o cachorro passa batido arremessado na paisagem que por ele passa: a sua indiferença nos ama como se nada mais se atrevesse a atravessar
- encaixadas uma a uma - o cachorro passa batido arremessado na paisagem que por ele passa: a sua indiferença nos ama como se nada mais se atrevesse a atravessar
Mas não,
uma árvore nodal com uma casa de cartas no meio, os entulhos e as trepadeiras e os grafites grudados feito liquens no muro mugrento
bastam para tudo voltar a ser rente e o coração anunciar a criança que fomos
- anunciação abismal e o olho arregalado de um menino frente a zona mercúrio do entre –
o organismo de um chamado é partilhado aos entes
na frieza de um ponto que espera sem deixar de conter o córrego da palavra córrego no que é verdadeiramente córrego
no asfalto que jamais se queixa – curva no aberto -
tomado pelos esquemas que liberam o corpo da suspeita de si
- nisso uma árvore é tombada no mais aberto ainda –
o céu é prateado de uma voz que funda a medida desse ventre que nos acompanha
uma árvore nodal com uma casa de cartas no meio, os entulhos e as trepadeiras e os grafites grudados feito liquens no muro mugrento
bastam para tudo voltar a ser rente e o coração anunciar a criança que fomos
- anunciação abismal e o olho arregalado de um menino frente a zona mercúrio do entre –
o organismo de um chamado é partilhado aos entes
na frieza de um ponto que espera sem deixar de conter o córrego da palavra córrego no que é verdadeiramente córrego
no asfalto que jamais se queixa – curva no aberto -
tomado pelos esquemas que liberam o corpo da suspeita de si
- nisso uma árvore é tombada no mais aberto ainda –
o céu é prateado de uma voz que funda a medida desse ventre que nos acompanha
é impossível dormir com esse centro na cabeça
é impossível dobrar esta antena
talvez seja ela a lentidão dessa curva que anuncia o fim do trecho
um perímetro excedido à beira rio
a infinição desses nascimentos cobrem o olho – mechas-imagens da infância –
como se ventasse uma bandeira, mas instalado na eira ligante que se agita em sua cor
é impossível dobrar esta antena
talvez seja ela a lentidão dessa curva que anuncia o fim do trecho
um perímetro excedido à beira rio
a infinição desses nascimentos cobrem o olho – mechas-imagens da infância –
como se ventasse uma bandeira, mas instalado na eira ligante que se agita em sua cor
As atrações ventrais beiram as tonalizações que se cruzam na presença arregalada e colada naquilo que é transitado e transita: tudo diz frequenta-me
e se o horizonte é marginal, não se sabe quem mudou a direção dos ventos
e ao contrário, os graus entre as nuvens ainda tomam aquela mesma sopa
e devem ser honrados até essa voz rouca socar as costas novamente
e ao contrário, os graus entre as nuvens ainda tomam aquela mesma sopa
e devem ser honrados até essa voz rouca socar as costas novamente
Rostoutrem: basta o calor humano de um pico e o contra fluxo das rachaduras das faces se abrindo entradas nelas mesmas e todos os assuntos penderem-se atravessados
e deve ser isso andar na linha
terça-feira, 23 de junho de 2015
segunda-feira, 22 de junho de 2015
domingo, 7 de junho de 2015
****
Doeu o peito, ao sair pela porta, vago. O menino atmosférico
que andava pela noite de sempre, na rua, foi visitado. Na laje – lugar de seus
nascimentos fora da mãe, diante de outra mãe – ele foi dignificado, dormindo
ali nas energias lunares, nas fagulhas distantes e na luz própria da terra.
Ouviu o coração e sentiu que seu sorriso seguia a linha da serra-abraço. Somos
uma estrela, o menino conseguiu dizer. E é como se agora, só fosse possível
dizer desse menino e todas as palavras dignas só partissem dele. Sinto que se inicia
rua a fora, a sua dignificação. Isso chama-se encontro, presença e apelo.
E um Bugiu canta nesse frente a frente.
Devaneio
Estou no mato em Pernambuco, vou se tivesse uma câmera boa.
Faço desenhos com terra, desenhos com a natureza – objetos naturais. Ouço dizer
que minha arte é baseada no registro. Após mandar fotos para os outros, sou
convidado a mostrar meus prazeres. Sabem do poeta. Sabem do poeta de acolhida
que pensa a casa e a terra.
- fui lançado a isso vendo as crianças dançarem na poça de
lama e o desenho de uma casa que desenhei com terra se esvair na água da chuva
– fui raptado pelo devaneio por isso: devaneio trampolinado pela realidade.
- agora o devaneio é findo e nessa perdição penso nas
inúmeras possibilidades da vida – visitei uma lacuna.
- nessa zona lacunar visitei vida, sinto que algo foi
expandido e esticado, deixo esta substancia tomar meu corpo no sendo do Ser –
descanso e acesso uma saúde cósmica; confiança e fruição me visitam.
Para os rugidos do leão,
Falar-lhes é falar de um tempo sem relógios – os cheiros e
os sons e as luzes que ditavam o tempo nesta presença -, aliança cósmica
através de meus sentidos: se lhe ouço até hoje nas madrugadas – implacável
terceira badalada -, é no fim da tarde que sou resgatado para quando o
estremecimento de seu som anunciava a hora de voltar para casa: chão tremendo, revoada
de pássaros, cheiro de café fresco e de bolo de fubá e rodízios embaralhando os
fatos de minha vida. Cosmo-estação onde o sol ditava o tempo de meus passos
pelos terrenos baldios – pés atolados em minhas primeiras estadias, o barro era
visitado como visito a mim mesmo agora.
Sua velhice e seu cansaço urgem o vivo-no-vivo de minha vida
- acesso a via onde ela passa - e nisso digo que fui iniciado. A dama da noite,
estou atrasado caçando as palavras para dizer quando chegar em casa, no pânico
de um menino-sempre-depois-do-tempo/antes do tempo dos homens, atento a uma
outra contagem, a dar satisfações a uma outra mãe. Nisso uma admiração me toma:
será que eu só pensava na hora; busco o que se pensava em mim, sempre depois do
tempo dos homens, sempre antes.
Dignifico aqui este tempo cósmico, aliado aos cheiros e sons
que me cercavam, pois eram eles que me regiam e isso é a única coisa que posso,
de corpo, lhes dizer.
Junto a este ser sonoro e olfativo, pequeno, masque vibrava
nessa integração, me despeço, agradecendo-lhes por cada encontro!
Do sempre seu, B.P.
Para Cerqueira Cézar, Friebolin e Homero,
Amigos, vocês foram lugares de poucos elogios e é, sem muito
pesar que, depois de alguns anos de análise junto ao cigarro de palha, consigo
lhes dizer com palavras o que meu corpo já dizia ao pular as suas grades,
atraído pela rua.
Agora posso lhes dizer que este fogo(como as professoras
apressadamente costumavam dizer) é um fogo íntimo e hermafrodita, objeto-outridade
habitante de um menino isolado que o hospedava. Porém, se trata de um fogo
natural e potente e é ele que faz os corpos se abrirem. Talvez valha lhes
lembrar que a arte, assim como a comunicação de um pensamento/prazer, abre um
corpo por esse fogo, mas como um bem maior que o Fogo do fogo. É somente através dessa abertura dos corpos
aquecidos por esse Fogo – possessão dos corpos por dentro, jamais pela frieza
do fora – que um real encontro pode acontecer e através dele, algo pode ser
partilhado/comunicado e apreendido, como num ato sexual ou sensual. Agora, e só agora, consigo ver que, na frieza
dos mundos emparedados em salas de aula, era isso que não sentiam, não
aceitavam e temiam.
Mas consigo reconciliar-me com a era glacial da atmosfera
de nossos encontros. Mas também por isso, vale dizer a vocês, algumas últimas
coisas que me consolavam, junto à laranjeira da praça. Colado de nuca nela, acolhido,
me mantinha longe de vocês, ouvindo palavras que me aqueciam, tecidas para que o
Fogo jamais se extinguisse:
Se sabes desfazer fixo
E o soluto fazer voar
E o que voa fixar em pó
Tens com quem te consolar
Lhes canto aqui estas palavras, somente em prol dos
meninos-fogo de todos os tempos, para que os últimos nascidos saibam que o peso
do mundo pode revezar de lugar.
Adeus e até nunca mais,
B.Pastore
domingo, 17 de maio de 2015
Parece que foi um recebimento por todo amor que já foi dado
pelas ruas vielas e praças onde os ratos de estimação foram enterrados
e o desejo de fazer um monumento que honre estes afetos pelo barro da palavra bairro: toda casa iluminada, as roupas no varal e a fresta da janela-entrada
estávamos lá rente ao muro do terreno baldio como dois bichos a se fundir e a gemer e cantar contra a existência dos lugares inabitáveis
e mosquitos nos picavam até a chegada da mãe
Disse ter preparado a marmita e que os cobertores estão lá, mas pediu que não deforme as almofadas
deite-se nos travesseiros
e é imaginável o parimento de uma pérola
medidas de cosmicidade para fertilizar o dia
-achar um pé de alecrim
- ler as cartas aos devaneios
- não levar o celular para ser aparelho
(sê comunicação celular)
- andar a pé
- ler a potencialidade da alma
- hospedar o inóspito
- bancar-se no anteprojeto
-gritar para o aberto de um terreno baldio
(não e-xis-te não lugar)
- ao cair da noite deitar as costas em qualquer chão sem temer a presença dos ratos
(mirar o céu fixadamente)
- ler as cartas aos devaneios
- não levar o celular para ser aparelho
(sê comunicação celular)
- andar a pé
- ler a potencialidade da alma
- hospedar o inóspito
- bancar-se no anteprojeto
-gritar para o aberto de um terreno baldio
(não e-xis-te não lugar)
- ao cair da noite deitar as costas em qualquer chão sem temer a presença dos ratos
(mirar o céu fixadamente)
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