sábado, 10 de agosto de 2013

Tem o desvio
- olhar ao contrário
de dentro do diamante
traindo o corpo-
e tem o desvio do desvio

sigo essa Criança
a lua está cheia
de resto nada faltará

compartilho meus prazeres
-glórias ao fim da tarde-
 mesmo que isso só leve o nome de arte

os cavalos  de aço que passam na avenida
acelerados não tiram o sorriso de minhas crianças

mesmo que não entendam
a pedagogia desse terreno baldio
jamais viverei um conto natalino de Charles Dikens
Roberto Piva cantando cantigas ao violão numa cantina italiana, calculado como tentar apagar provas cabais de um guia sobre a metamorfose no meu rosto se transformando nas pessoas ao redor, demitindo a palavra empatia, pois quando caíram  os véus, um por um eu não tinha rosto e era tudo inscrito em mim e não dava margem as possibilidades que não existem e são apenas coisas que se fala, se bebe e se come, uma pedra que ronca. Ao receber uma notícia fiquei sem chão, mas não fazia mais diferença: não preciso de chão para caminhar nessa história de Charles Dikens por isso jamais cruzarei uma estagnação energética, prezo o fluxo, a bolinha do olho:

só um troncho precisa de um lago ou um espelho para ver o próprio rosto

notas sensíveis ao toque

Mesmo que meus ossos estalem na frieza de meus dedos e minha casa corra risco e a sabedoria se bifurque na sensação de inércia incondicional que me toma na evidência entre a cratera e o peso axial




rio da borrasca

notas sensíveis ao toque

O movimento de terra girando um barulho ON me fazendo não dizer e esse nada me dizendo: ESTAMOS TRABALHANDO INDEPENDENTE DE você. Basta fechar os olhos e sentir essa chama que trama e saberá na sua pálpebra que livros telas e qualquer ação valem pouco perto do inacabamento desta obra provisória que boia. Caímos nas impressões e nos abusos dos sentimentos que nos fazem afirmar enganosamente como um jabuti na mão da Criança: a obra está pronta.



Somente o trabalho destrói este abuso.

terça-feira, 25 de junho de 2013


Encontro: o filho o pai e a volta que dá e aquela japonesa e mesmo que eu fuja, ele pede por ela. Hoje tentei querer me suicidar mas daqui mesmo sei que se me der à passagem ela voltará pois não existe passagem quando é o olho da nuca que dita e não aguentaria ver você crescer e eu aqui substância sentindo a mesma dor no estomago de agora. Por isso  um homem  veste tudo aquilo que lê, não por ele mas pelos disléxicos rejeitados nas escolas públicas que crescidos não constituem renda fixa e atrasados se preocupam com outro tecido, outro tempo, outra mãe. Não quero nada, tudo que me quer quer em mim. É isso que o curso não entende. Não amo como os homens amam - palavra amor só esbarra no amor - me esbarro e materializo pelos diagnosticados: me vi pai nosso e não poderei segurar tudo isso que não vejo mas morrerei tentando por que nisso tudo cabe e por isso dou na matéria e malaxo até que me sirva para mostrar isso nisso. Inevitavelmente procuro o ventre em todo lugar e enquanto não meditar todos os mantras que faço não superarei esse presente que talvez tenha ganhado no corredor daquela escola enquanto esperava - eles roubaram todos os meus chapéus e sem chapéu na época me sentia pelado: sensação de estar sem véus. Hoje aceito isso da boca do anjo que me sopra que é melhor não ter rosto.  Parece que tenho de provar que existe algo além da máscara que me sufoca e que as pessoas a minha volta tanto ama e me fazem ver que vivo de casa para o trabalho contracenando muito bem. A empatia não me deixa desprezar, talvez seja por isso que não sou poeta e não domino a língua e não consigo fazer a travessia para o outro lugar por que vejo este lugar aqui, dentro desse outro lugar, colado e dançando e um esforço é desnecessário. As  letras ainda dançam na minha frente, para mim desenhar é mais fácil e esse é o caminho que aprendi quando tinha que tirar quando não cabia dentro e debulhava as últimas folhas do caderno da escola só para não olhar para frente, para não te ver. Essa exclusão toda me fez perito em acolhida e isso acontece com a luz do sol plantas buracos pessoas e por ai vai. Talvez isso tenha acontecido não na escola, mas em outro corredor fundo escuro e úmido, quando me (d)escolaram da placenta ou quando sucessivas vezes fui descolado de minha vida - cada vida um rosto, um véu. Por isso sossego e permaneço aqui assim decifrando dentro de minhas pálpebras o paço fundo de minha nuca, não há outra forma de lidar com as arestas - os terapeutas tentam mas presos a palavra e ao sonho não dão conta da fundura do inacessível, pois creem no inacessível.  Me resta adentrar a palavra Recepo pois o homem roubado nunca se engana: a semente descansa no segredo da terra.



roubo: só uma sensação
recepo: palavra para estar dentro
sonho: engano na estratégia de um design de interior
devaneio: mora mais coisa aqui
esforço: só serve para filosofia que pretende um "para viver"

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Partiu um trem desgovernado, dinâmico, com sua estrutura medida, metálica, sintética, polida e bem preparada, rumo  a imortalidade biológica e a conquista espacial - o trem da arte contemporânea. Cheguei depois da partida. Este retarde me fez perder o lugar e ficar, vendo o trem partir até  perde-lo de vista. Na linha, uns riscos inscritos diziam: este é o seu lugar sem lugar.  





Espaço compartilhado















Por uma saúde cósmica




Recepo







sábado, 4 de maio de 2013



Desenhar: asa norte

para as estrelas , não passamos de uma estrela


Crucial: Fluxo#

“Antes da liberdade de expressão, liberdade de ter expressão.”

Esquecer

versus liberdade:

rio, partícula invariável, outro

Dois caminhos acerca :

1 fazer girar as alavancas e examinar os bonecos animados com uma atenção sorridente como se se divertisse com sigo próprio e com o que o conduz aqui.

2 ser o mais atraente, aquele cujo menor movimento revela um amor de si mesmo profundo e aveludado.

Posso dizer o que quero?
Olhos como botões da bota. Mal entraram, mostram-se a vontade numa relação entre a qualidade da luz.

Posso escutar o que quero?
Satisfeito a mascara da gravidez, contente para além de sozinho e, frente a certas conversas espessas e largadas ao perigo de um odor que se esvai ao menor gesto, superar a angustia e o estranhamento.
Recepcionar e partir de qualquer lugar.

Asma: fantasma; asma da fantasia.

Cavando, não há sintaxe sem calcificação 

terça-feira, 16 de abril de 2013

pedagogia do aberto
borboleta nos dedos e folha da árvore na capa do caderno
para saber que passaros voam e comem por que acreditam
 prateleiras medindo as distâncias de acordar e demitir a palavra sonho
  nada que psicologize
isso é outra coisa  

-  de dar asco nesse tempo de se livrar da mente que assola a fronte tal como pegar o rio com uma caixa - sempre muda o curso

querem a cura a qualquer custo mesmo que a ferida reveze o lugar

esquecem o anteparo e a asa dada
apalpar e prescindir de qualquer porto  


sem receita
escuto medirem as distâncias