sexta-feira, 16 de março de 2012

Manifesto no que fica



(O mar é aqui)
para se realizar aqui onde estamos, o que é
fácil na beira duma cachoeira ou numa praia deserta.





Legiões correm em busca do mar e dizem que lá está o nosso lugar. E se esquecem que só passamos por ele.

Na hierarquia - coisa que só o deserto exige - quantos dias viveríamos sem beber e comer. Sem ar não existiria dias.

O ar é tanto que se tornou abjeto.

No mar está o outro, o encontro, a nostalgia do que fomos e o desejo de ver o grande, de ver grande. - Eis o abraço largo e sorrateiro da acídia que pode nos restringir e que pode nos impedir de verticalizar o horizonte e ver grande, ver o grande aqui e agora.

(Encosto a nuca nas costas, agora!)

Esquecer do mergulho inicial, o mergulho em que até o mar está incluído, é uma
corrida cega e uma nostalgia praiana que adia o mergulho num desejo de estar sempre à beira, sempre à beira que precede e adia o mergulho.

Neste mar, que até a catinga( coisa seca que não existe em nenhum outro lugar do mundo, só aqui) está submersa, se manifestaram todos os mares.

Desvendado os segredos da catinga, fica fácil o serviço de fazer o sertão virar mar.

MA R M A R AR A R M A R E T E R N O C È U AR D E

Manifesto o mar que fica, o mar é aqui.

E se somos água
viemos para refletir o céu.


Play na poesia

Sarau do burro


Dona Edite da Cooperifa

Cooperifa

Sarau do Binho

Vila Fundão - Fernando e seu filhão


Trabalho de disseminação do projeto “Play na Poesia”.
Fortificando e percorrendo os saraus pela cidade.
Muito obrigado à todos pela boa recepção do projeto, continuaremos percorrendo os extremos.

Acessem, publiquem e divulguem:


http://playnapoesia.com.br/blog/

CRIVO





Pra hora da fome e senti-lo de fato:
http://luisfelipequintal.blogspot.com.br/

http://angelacastelobranco.blogspot.com.br/

terça-feira, 13 de março de 2012

Writer diz que o mundo grita
range OPA!
e essa é a altura do esticar, esse é o som do alongamento

Pintamos, mas na verdade queremos derrubar
pixamos, mas na verdade queremos dizer
escalamos para não calar
para dizer alto e no alto das coisas achar o nosso volume

A terceira janela hoje é pouca, para nós é raso
subo mais, fácil, depois que peguei o jeito do gato
pois o que quero é verticalizar o horizonte
e isso quer em mim, numa utopia inconsciente

Mas na verdade só quero, por um momento, fazer as nucas encostarem as costas
e essa é a tradução de “bater a testa”
Writer desde sempre vem estendendo a infância borrando as paredes
só perguntando ao outro se ele acha esta pedra familiar

Agora detesta paredes, foi um engano que virou superstição
Agora tem em ruir
e mais que abrir janelas e pintar seus vultos,
prefere abrir buracos

E diz que não podemos decorar a argamassa

sábado, 10 de março de 2012

Drummond - Mundo grande

Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem... sem que ele estale.

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma, não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos - voltarão?

Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
- Ó vida futura! Nós te criaremos.

http://letras.terra.com.br/carlos-drummond-de-andrade/460650/

domingo, 4 de março de 2012

Escrevo na finalidade do fóssil

se um dia iremos,as samambaias não
elas resistirão entre as frestas

Imagino um livro meu entre as samambaias
ele transmitirá o meu osso

sábado, 3 de março de 2012

resposta à mandala




Sobre não se poder viver no limite de sua capacidade:

Tudo que podemos evitar devemos evitar.

Tudo que podemos fazer, devemos fazer por que podemos e se podemos fazer, é por que devemos.

Um surdo pode fazer tudo, menos ouvir.

Cervantes concluiu Dom Quixote numa prisão em Madrid, assim como Ungaretti escreveu seu livro de poemas “A alegria” no fronte de batalha. Quando Cervantes estava em vias de concluir sua obra, acabaram os recursos de papel e então começou a escrever no couro. Sabendo disso, um milionário espanhol quis lhe fornecer papel e o material necessário para concluir tal obra. Mas Cervantes recusou dizendo que o céu lhe proibia que se retirassem dele os fardos de que lhe eram necessários e que o que enriquece o mundo são tais situações adversas.

Maturana fala bonito quando fala que não vemos o mundo como ele é e sim vemos o mundo como somos.

Heidegger pensa na diferença entre o mundo e o planeta e que a obra de arte é o fruto de um combate entre planeta e mundo. Planeta é o que está, é o céu e a terra que sempre ai esteve incondicionalmente. E mundo é tudo quilo que de dentro (mundo-mente) projetamos do olho para fora entre a terra e o céu (planeta). Nessa interferência continua e inevitável, vemos que só assim uma obra de arte pode mudar o mundo e também que se o mundo acabar, o planeta persistirá com as samambaias crescendo entre as frestas.

O mundo é pequeno perto do planeta, mas um só existe no outro.

As situações adversas como a de Cervantes enriquecem o mundo (mente), e amplia o mundo. Se ampliar o mundo é ampliar a mente, e podemos executar este trabalho de aumentá-lo, devemos alargá-lo em sua potência e continuar o trabalho de emancipação. Se não executarmos o que devemos executar em seu limite, talvez o mundo não se estique o bastante e não se manifeste em sua totalidade.

Não sei por que devemos, mas se devemos, devemos aqueles que esticaram a possibilidade de mundo para nós, pois se necessitamos escrever hoje, temos em mãos, uma caneta para escrever. Devemos a essa herança ancestral. Devemos honrar isso, honrar essas pessoas que viveram no limite das adversidades e nesse limite viram que podiam esticá-lo.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Reinvenção

Série de colagens para o novo álbum "Reinvenção" do Mc e poeta Mano Réu que em breve será lançado.






2012

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

fui ver o que estava fazendo:
cavava e abria um buraco na pedra
falava uma língua que me obrigava a franzir a testa
e cerrar os olhos

entrei
relaxando a face
me ausentei e vi que esse era o caminho do escutar

e ele me olhando pequeno
como se eu não fosse nada
continuou trabalhando

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Urban Gallery - Penha RJ

http://www.blogbrookfield.com.br/index.php/institucional/retrato-da-alma-carioca/
Aprendi que pai é o homem que enche a lua com a boca
mas só a pedido do filho

estava nas minhas vontades indiferente ao crivo
mas a moral do jardim era outra:
estar naquilo que canta antes do que encanta

In the rain

http://www.youtube.com/watch?v=sRK4AwS3dh8

E segue

Ai está um texto que escrevi partindo das minhas leituras de Manoel de Barros, Nietzsche, Di Loreto, Juliano Garcia Pessanha e Gaston Bachelard, que se inscreveram em mim na tentativa de conseguir dizer sobre um lugar tão especial em meu caminho - O Projeto Quixote:

http://projetoquixote.org.br/quixotices/seu-franca-nao-presta-pra-nada/